Arquivo da categoria: VARIAÇÕES

A LÍNGUA: PÁTRIA OU EXPATRIAMENTO?

Paulo Borges

[Uma língua, mais do que um conjunto de convenções, é decerto a expressão de um sopro espiritual e vital, mas também a sua condensação numa estrutura verbal e conceptual, semântica e sintáctica, que condiciona a percepção da realidade e configura um regime de consciência onde essa riqueza e abundância patente na etimologia indo-europeia de real se reduz ao mundo de sentidos, significações, juízos e valorações que um determinado regime linguístico constrói, com um intuito predominantemente utilitário, ao serviço dos interesses humanos dominantes.]

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Sobre D. Duarte e o seu Leal Conselheiro

Fernanda Moura Pinto

[Redigido na primeira metade do século XV, num tempo em que o país tomava consciência de si mesmo, o livro Leal Conselheiro, de D. Duarte, é o reflexo de uma língua, um pensamento, uma cultura e uma identidade nacional em construção.

O Leal Conselheiro insere-se numa das épocas mais decisivas para Portugal, em termos políticos, sociais e culturais. Verdadeiro “documento vivo do século XV”, é considerado ainda um texto medieval, a todos os níveis, mas que testemunha já uma certa transição que se começava a fazer sentir na Europa e também do nosso país.]

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Vieira por Pedrosa: os “Ós” de uma mesma língua

Maria Lúcia Dal Farra

[E o que é a literatura senão o puxar mais longe as obras que nos servem de desejo para a construção das nossas? E que somos nós senão “turistas” sobre a terra, seres que, não sendo mortais, descuidam da imortalidade?]

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Machado de Assis e os portugueses

Mauro Rosso

[Machado de Assis – representante proeminente do movimento de ‘nacionalização literária’ brasileira – parece ter sido um dos poucos, senão o único, a valorizar a interação com a literatura portuguesa.]

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Clarice Lispector e a aprendizagem da morte como afirmação da vida

Cicero Cunha Bezerra

[O homem, embora marcado pelo limite da linguagem, por natureza gagueja palavras forjadas no intuito de romper o abismo silencioso de uma paz que é morte.]

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José de Guimarães por mares revisitados

Egídia Souto

[As obras de José Guimarães vão seguindo o seu rumo por mares já navegados e assim “Novos mundos ao mundo irão mostrando” (Lusíadas, canto II). O seu criador, à semelhança de um marinheiro, entre vários portos, acosta ora em Paris, ora no Japão, ora no seu ateliê de Lisboa, espaço esse de onde se pode entrever o Tejo.]

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Uma discussão metafísica em boa prosa camiliana

Jorge Teixeira da Cunha

[Na economia da narrativa, resta a conformação com a tragédia de uma pessoa doente, tragédia sem catarse possível, seja pela terapia, seja pela fé religiosa. Nesta obra mais do que em outras, a nosso ver, Camilo eleva-se à qualidade de escritor metafísico.]

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A lusofonia e a universalidade nas cartas de Agostinho da Silva

Constança Marcondes Cesar

[A fim de podermos considerar a importância da difusão da língua e da cultura portuguesas, é preciso compreender as contribuições que trazem e os valores que comportam.
Procuraremos pô-las em relevo, estabelecendo analogias com as contribuições bem conhecidas por todos, da cultura grega na Antiguidade e a da cultura francesa na Modernidade. Valores como democracia, liberdade e vida criadora foram transmitidos a nós por Atenas; valores como igualdade, fraternidade e, uma vez mais, a liberdade foram traduzidos no mundo moderno e contemporâneo pela França.]

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