Arquivo da categoria: VARIAÇÕES_

SOB A BARBÁRIE, UMA PEQUENA LUZ: A AMBIGUIDADE DO VISÍVEL NO ÚLTIMO ROMANCE DE VERGÍLIO FERREIRA

Jorge Teixeira da Cunha

O último romance de Vergílio Ferreira Na tua face (1993) é, do início ao fim, uma variação sobre o horror do visível. Quem se abeira da obra para a fruir como uma estética teológica não pode perder de vista este ambiente que se pode classificar entre o irónico e o decadente. A alusão à experiência religiosa está presente a cada página, mas trata-se de uma mística de inquietação e de desencanto em que somente a porta da Natureza, que sempre escreve com maiúscula, pode dar entrada numa muito desconfiada “eudaimonia”. Continue a ler SOB A BARBÁRIE, UMA PEQUENA LUZ: A AMBIGUIDADE DO VISÍVEL NO ÚLTIMO ROMANCE DE VERGÍLIO FERREIRA

Anúncios

VERGÍLIO FERREIRA – A ALEGRIA DE EXISTIR: BREVE, DENSA, VALIDADA

José Gama

A leitura de Alegria breve constitui um momento ímpar de reflexão e de interrogação sobre a existência humana, guiado pela mão hábil e invasiva de Vergílio Ferreira, naquele modo solene e insatisfeito que ele consegue imprimir à sua escrita como ninguém. A releitura adquire ainda uma dimensão mais forte, se for guiada, logo à partida, por aquele sentido de reavaliação de tudo o que acompanha a despedida da vida de toda uma aldeia, em que a grandeza e a incapacidade do homem parecem atingir os seus limites… Continue a ler VERGÍLIO FERREIRA – A ALEGRIA DE EXISTIR: BREVE, DENSA, VALIDADA

O PRIMEIRO SORRISO DO OCIDENTE

Hugo Monteiro

[O sorriso, o primeiro do Ocidente, surge-nos assim como o assomo de um Adeus que atravessa o tempo em saudação – gesto indistinto no excesso de um encontro que, em última análise, leva o próprio tempo atrás de si, revelando que “todos os séculos do passado se conglomeram ali, no instantâneo presente”]

Continue a ler O PRIMEIRO SORRISO DO OCIDENTE

OS TEARES DA MEMÓRIA: MNÉMOSINE E SUAS FILHAS

 

Ana Luísa Amaral

in Entre dois rios e outras noites, Campo das Letras, 2008

 

Desejava esquecer, mas elas não me deixam:

chegam com seu tear e sua mão cruel,

Continue a ler OS TEARES DA MEMÓRIA: MNÉMOSINE E SUAS FILHAS

O CAMINHO ENQUANTO ARTE

Jorge Palinhos

[Caminhar é uma atividade física em que o corpo humano, sustentado apenas pelos membros inferiores, se move no espaço concreto, fazendo avançar à vez cada pé. É um gesto de tal forma quotidiano que raramente nos lembramos de que houve uma altura em que tivemos de o aprender, com grande dificuldade e alguma audácia. É, possivelmente, o primeiro e o mais comum perigo que todos os seres humanos enfrentam no início da sua vida, e também aquele que mais rapidamente se esquece à medida que os passos se tornam centrais na nossa existência.]

Continue a ler O CAMINHO ENQUANTO ARTE