Arquivo da categoria: Nº3-

AMADEO: UMA ENTREVISTA COM MÁRIO CLÁUDIO, POR CARLOS MAGNO E CELESTE NATÁRIO

Carlos Magno
Maria Celeste Natário

C. Magno: É possível ler o «Amadeo» do Mário Cláudio sem conhecer nenhuma obra de Amadeo?

Mário Cláudio: Não, acho que não, sinceramente. É possível escrever, e isso eu fi-lo, sem simpatizar com o homem Amadeo. Tive sempre uma certa antipatia por aquela figura. Continue reading AMADEO: UMA ENTREVISTA COM MÁRIO CLÁUDIO, POR CARLOS MAGNO E CELESTE NATÁRIO

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AMADEO DE SOUZA-CARDOSO, «LE SAUT DU LAPIN»

Helena de Freitas

Este texto é uma versão reduzida, revista e adaptada do ensaio escrito em 2016 para o catálogo da exposição «Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)» apresentada em Paris, no Grand Palais. A linha curatorial da exposição centrou-se na valorização do seu reconhecimento internacional em tempo de vida e desenvolveu-se à volta de conceitos chave como a sua “identidade plural” e o “carácter polissémico do seu trabalho”. Continue reading AMADEO DE SOUZA-CARDOSO, «LE SAUT DU LAPIN»

BREVE APONTAMENTO SOBRE «OS GALGOS»

Marta Soares

Haverá outra ideia mais misteriosa para um artista
do que a concepção da natureza espelhada nos olhos
de um animal? Como é que um cavalo vê o mundo,
ou uma águia, ou uma corsa, ou um cão…?”
Franz Marc [1]

As montanhas têm um estilo de linhas
que dá vontade de lhes passar a mão pelo dorso.”
Amadeo de Souza-Cardoso [2] Continue reading BREVE APONTAMENTO SOBRE «OS GALGOS»

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO «CAVALO-SALAMANDRA»

Ludovica Daddi

Na incapacidade de selecionar um quadro de Amadeo de Souza-Cardoso que represente a sua identidade artística na totalidade das mais variadas manifestações e correntes artísticas em que se inscreveu, escolhi focar-me numa pintura que disto mesmo parece falar: «Sem título (Clown, Cavalo, Salamandra)». Continue reading AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO «CAVALO-SALAMANDRA»

LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Isabel Carvalho

Esquemas do ritmo cíclico percorrem as intensidades mais fortes e radicais, oscilações de prazer e de dor, no decurso, em simultâneo, da estrutura linear simplificada das hagiografias – primeiro impõe-se o mal e depois o bem. Eles aproximam-se da representação da natureza a que escritor e pintor, por intermédio de outrem algures distante no tempo e na geografia, tão bem sabem que não lhes pertence mas da qual fazem parte. Sem malícia, a bravura e a docilidade das relações humanas, o amor radicalizado no sacrifício, são caracterizações a que a natureza é indiferente. Continue reading LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

Maria Luísa Malato

Em carta a Manuel de Laranjeira – datável, segundo José Augusto França, de fins de 1908 ou princípios de 1909 – Amadeo de Souza-Cardoso dizia sentir um “desdém flaubertiano” para com a mediocridade que o rodeava (1972: 20). Continue reading AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

100 ANOS DE AUSÊNCIA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Pedro Barros

[…] os meus destinos só estão bem commigo. Ou por elles triumpho
ou por eles sou esmagado”

(Carta de Amadeo para a mãe na véspera da partida para Paris) Continue reading 100 ANOS DE AUSÊNCIA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

Maria do Mar Fazenda

A curadoria de uma exposição pelo próprio artista, na época de Amadeo, é uma circunstância absolutamente inovadora. Apesar de Amadeo na altura não ter sido referido como “curador”, até porque esta figura ainda não tinha sido profissionalizada, hoje, com o reconhecimento desse trabalho realizado por Amadeo nas mostras de 1916, podemos afirmar que foi curador do seu próprio trabalho – o que é aliás, uma das teses veiculada pela exposição «Amadeo de Souza-Cardoso. Lisboa–Porto. 2016–1916». Nas duas mostras em que esta exposição se foca, Amadeo, para além de ter produzido as obras, selecionou-as e transportou-as, escolheu e alugou os espaços onde viriam a ser apresentadas, desenhou a sequência e a sua disposição no espaço expositivo, escreveu o comunicado de imprensa, editou o catálogo, e podemos ainda fantasiar sobre as visitas orientadas à exposição que terá acompanhado, e especular em torno de um ciclo de conferências organizado no âmbito da exposição, tal como o concebido pelas curadoras Raquel Henriques da Silva e Marta Soares para o contexto da sua exposição. Continue reading CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

José Carlos Pereira

Almada e Amadeo: duas almas levantadas, dois pintores que concebem o ato de ver como a via privilegiada de acesso ao real, como ato que radica numa realidade originária, polarizada entre o visível e o invisível, a partir de uma dimensão maioritariamente inteligível (em Almada), e sensível (em Amadeo), sendo que, em ambos os artistas, uma e outra tendem a harmonizar-se num Todo. Para Almada, artista e filósofo, a sua conceção do ato de ver resgata a suspeita que pendeu historicamente sobre a ocularidade, desde Platão a Descartes. A partir desta realidade, apresenta-se a arte como um meio de revelação da verdade: “Arte era a solução”, afirmou Almada, anos mais tarde. E não apenas a solução para aquele tempo, como, em larga medida, para o nosso, dentro do qual a noção de “belo” progressivamente se reconfigurou, como já se reconfigurava à época desses “dois grandes poetas de Orpheu: Sá-Carneiro e Amadeo”, como escreveu Almada, em balanço do movimento órfico, meio século depois. Continue reading NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

O BOM FILHO A CASA PINTOU: MANHUFE E MANCELOS NA PINTURA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO (1887-1918)

João Faria Ferreira

Manhufe, terra natal de Amadeo de Souza-Cardoso, e as paisagens montanhosas do Douro foram, direta ou indiretamente, fonte de inspiração de toda a produção do artista. Aqui se propõe uma visita a algumas das obras em que o pintor imortalizou as suas “casas.” Continue reading O BOM FILHO A CASA PINTOU: MANHUFE E MANCELOS NA PINTURA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO (1887-1918)

THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO

Filomena Vasconcelos

I – “O descritivo prova a insuficiência do cérebro, o inventivo a existência de uma ideia” (Amadeo de Souza-Cardoso)

Assim escrevia Amadeo de Souza-Cardoso, em finais de 1912, numa carta ao tio Francisco, que na família era quem melhor o entendia e desde sempre o incentivara na esteira das artes, longe da terra-mãe, na efervescente Paris do início do século XX. Diria Almada Negreiros, em 1916, que Amadeo era a “primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX” (apud França, 2011, p. 173). Continue reading THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO