Arquivo da categoria: Nº3-

BREVE APONTAMENTO SOBRE “OS GALGOS”

Marta Soares

“Haverá outra ideia mais misteriosa para um artista
do que a concepção da natureza espelhada nos olhos
de um animal? Como é que um cavalo vê o mundo,
ou uma águia, ou uma corsa, ou um cão…?”

Franz Marc [1]

 

“As montanhas têm um estilo de linhas
que dá vontade de lhes passar a mão pelo dorso.”

Amadeo de Souza-Cardoso [2]

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AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO “CAVALO-SALAMANDRA”

Ludovica Daddi

Na incapacidade de selecionar um quadro de Amadeo de Souza-Cardoso que represente a sua identidade artística na totalidade das mais variadas manifestações e correntes artísticas em que se inscreveu, escolhi focar-me numa pintura que disto mesmo parece falar: «Sem título (Clown, Cavalo, Salamandra)». Continue reading AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO “CAVALO-SALAMANDRA”

LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Isabel Carvalho

Esquemas do ritmo cíclico percorrem as intensidades mais fortes e radicais, oscilações de prazer e de dor, no decurso, em simultâneo, da estrutura linear simplificada das hagiografias – primeiro impõe-se o mal e depois o bem. Eles aproximam-se da representação da natureza a que escritor e pintor, por intermédio de outrem algures distante no tempo e na geografia, tão bem sabem que não lhes pertence mas da qual fazem parte. Continue reading LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

Maria Luísa Malato

Em carta a Manuel de Laranjeira – datável, segundo José Augusto França, de fins de 1908 ou princípios de 1909 – Amadeo de Souza-Cardoso dizia sentir um “desdém flaubertiano” para com a mediocridade que o rodeava (1972: 20).

Ainda que escrita em Paris (ou até porque escrita em Paris), a expressão “desdém flaubertiano” revela o quanto Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918) se cria impermeável ao mundo artístico que o rodeava. Porquê “flaubertiano”? Continue reading AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

100 ANOS DE AUSÊNCIA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Pedro Barros

“[…] os meus destinos só estão bem commigo.
Ou por elles triumpho ou por eles sou esmagado”

Carta de Amadeo para a mãe na véspera da partida para Paris

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CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

Maria do Mar Fazenda

A curadoria de uma exposição pelo próprio artista, na época de Amadeo, é uma circunstância absolutamente inovadora. Apesar de Amadeo na altura não ter sido referido como “curador”, até porque esta figura ainda não tinha sido profissionalizada, hoje, com o reconhecimento desse trabalho realizado por Amadeo nas mostras de 1916, podemos afirmar que foi curador do seu próprio trabalho – o que é aliás, uma das teses veiculada pela exposição «Amadeo de Souza-Cardoso. Lisboa–Porto. 2016–1916». Continue reading CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

José Carlos Pereira

Almada e Amadeo: duas almas levantadas, dois pintores que concebem o ato de ver como a via privilegiada de acesso ao real, como ato que radica numa realidade originária, polarizada entre o visível e o invisível, a partir de uma dimensão maioritariamente inteligível (em Almada), e sensível (em Amadeo), sendo que, em ambos os artistas, uma e outra tendem a harmonizar-se num Todo. Continue reading NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

O BOM FILHO A CASA PINTOU: MANHUFE E MANCELOS NA PINTURA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO (1887-1918)

João Faria Ferreira

Manhufe, terra natal de Amadeo de Souza-Cardoso, e as paisagens montanhosas do Douro foram, direta ou indiretamente, fonte de inspiração de toda a produção do artista. Aqui se propõe uma visita a algumas das obras em que o pintor imortalizou as suas “casas.”

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THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO

Filomena Vasconcelos

I. O descritivo prova a insuficiência do cérebro, o inventivo a existência de uma ideia. (Amadeo de Souza-Cardoso)

Assim escrevia Amadeo de Souza-Cardoso, em finais de 1912, numa carta ao tio Francisco, que na família era quem melhor o entendia e desde sempre o incentivara na esteira das artes, longe da terra-mãe, na efervescente Paris do início do século XX. Diria Almada Negreiros, em 1916, que Amadeo era a “primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX” (apud França, 2011, p. 173). Continue reading THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO