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AMADEO DE SOUZA-CARDOSO, «LE SAUT DU LAPIN»

Helena de Freitas

Nota introdutória

Este texto é uma versão reduzida, revista e adaptada do ensaio escrito em 2016 para o catálogo da exposição «Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918)» apresentada em Paris, no Grand Palais. A linha curatorial da exposição centrou-se na valorização do seu reconhecimento internacional em tempo de vida e desenvolveu-se à volta de conceitos‑chave como a sua “identidade plural” e o “carácter polissémico do seu trabalho”.

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BREVE APONTAMENTO SOBRE «OS GALGOS»

Marta Soares

“Haverá outra ideia mais misteriosa para um artista
do que a concepção da natureza espelhada nos olhos
de um animal? Como é que um cavalo vê o mundo,
ou uma águia, ou uma corsa, ou um cão…?”

Franz Marc [1]

 

“As montanhas têm um estilo de linhas
que dá vontade de lhes passar a mão pelo dorso.”

Amadeo de Souza-Cardoso [2]

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AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

Maria Luísa Malato

Em carta a Manuel de Laranjeira – datável, segundo José Augusto França, de fins de 1908 ou princípios de 1909 – Amadeo de Souza-Cardoso dizia sentir um “desdém flaubertiano” para com a mediocridade que o rodeava (1972: 20).

Ainda que escrita em Paris (ou até porque escrita em Paris), a expressão “desdém flaubertiano” revela o quanto Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918) se cria impermeável ao mundo artístico que o rodeava. Porquê “flaubertiano”? Continue reading AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

José Carlos Pereira

Almada e Amadeo: duas almas levantadas, dois pintores que concebem o ato de ver como a via privilegiada de acesso ao real, como ato que radica numa realidade originária, polarizada entre o visível e o invisível, a partir de uma dimensão maioritariamente inteligível (em Almada), e sensível (em Amadeo), sendo que, em ambos os artistas, uma e outra tendem a harmonizar-se num Todo. Continue reading NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO

Filomena Vasconcelos

I. O descritivo prova a insuficiência do cérebro, o inventivo a existência de uma ideia. (Amadeo de Souza-Cardoso)

Assim escrevia Amadeo de Souza-Cardoso, em finais de 1912, numa carta ao tio Francisco, que na família era quem melhor o entendia e desde sempre o incentivara na esteira das artes, longe da terra-mãe, na efervescente Paris do início do século XX. Diria Almada Negreiros, em 1916, que Amadeo era a “primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX” (apud França, 2011, p. 173). Continue reading THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO