Arquivo de etiquetas: amadeo souza cardoso

Editorial

Maria Luísa Malato

Este número da PONTES DE VISTA é dedicado a AMADEO e a todos os insolentes. Deve ser efetivamente “insolência” o pecado maior dessa gente que não segue os caminhos habituais. Que mais se lhe há de chamar? “Há gente que chama ao meu estado uma pretensão para sair fora do vulgar – […]  Eu sei o que agrada em geral – eu na generalidade desagrado”: isto constata Amadeo. Continue reading Editorial

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Mário Cláudio

Carlos Magno
Maria Celeste Natário

BREVE APONTAMENTO SOBRE “OS GALGOS”

Marta Soares

“Haverá outra ideia mais misteriosa para um artista
do que a concepção da natureza espelhada nos olhos
de um animal? Como é que um cavalo vê o mundo,
ou uma águia, ou uma corsa, ou um cão…?”

Franz Marc [1]

 

“As montanhas têm um estilo de linhas
que dá vontade de lhes passar a mão pelo dorso.”

Amadeo de Souza-Cardoso [2]

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AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO “CAVALO-SALAMANDRA”

Ludovica Daddi

Na incapacidade de selecionar um quadro de Amadeo de Souza-Cardoso que represente a sua identidade artística na totalidade das mais variadas manifestações e correntes artísticas em que se inscreveu, escolhi focar-me numa pintura que disto mesmo parece falar: «Sem título (Clown, Cavalo, Salamandra)». Continue reading AMADEO DE SOUZA-CARDOSO E O ESPAÇO HÍBRIDO DO “CAVALO-SALAMANDRA”

LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Isabel Carvalho

Esquemas do ritmo cíclico percorrem as intensidades mais fortes e radicais, oscilações de prazer e de dor, no decurso, em simultâneo, da estrutura linear simplificada das hagiografias – primeiro impõe-se o mal e depois o bem. Eles aproximam-se da representação da natureza a que escritor e pintor, por intermédio de outrem algures distante no tempo e na geografia, tão bem sabem que não lhes pertence mas da qual fazem parte. Continue reading LEGENDA À LENDA DA HOSPITALIDADE: FLAUBERT E AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

Maria Luísa Malato

Em carta a Manuel de Laranjeira – datável, segundo José Augusto França, de fins de 1908 ou princípios de 1909 – Amadeo de Souza-Cardoso dizia sentir um “desdém flaubertiano” para com a mediocridade que o rodeava (1972: 20).

Ainda que escrita em Paris (ou até porque escrita em Paris), a expressão “desdém flaubertiano” revela o quanto Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918) se cria impermeável ao mundo artístico que o rodeava. Porquê “flaubertiano”? Continue reading AMADEO E O “DESDÉM FLAUBERTIANO”: UM OUTRO DIÁLOGO ENTRE A PINTURA E A LITERATURA

100 ANOS DE AUSÊNCIA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO

Pedro Barros

“[…] os meus destinos só estão bem commigo.
Ou por elles triumpho ou por eles sou esmagado”

Carta de Amadeo para a mãe na véspera da partida para Paris

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CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

Maria do Mar Fazenda

A curadoria de uma exposição pelo próprio artista, na época de Amadeo, é uma circunstância absolutamente inovadora. Apesar de Amadeo na altura não ter sido referido como “curador”, até porque esta figura ainda não tinha sido profissionalizada, hoje, com o reconhecimento desse trabalho realizado por Amadeo nas mostras de 1916, podemos afirmar que foi curador do seu próprio trabalho – o que é aliás, uma das teses veiculada pela exposição «Amadeo de Souza-Cardoso. Lisboa–Porto. 2016–1916». Continue reading CONVERSA EM ZIG ZAG: DA CURADORIA DE AMADEO À CURADORIA DE UM “ESPAÇO CRÍTICO”

NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

José Carlos Pereira

Almada e Amadeo: duas almas levantadas, dois pintores que concebem o ato de ver como a via privilegiada de acesso ao real, como ato que radica numa realidade originária, polarizada entre o visível e o invisível, a partir de uma dimensão maioritariamente inteligível (em Almada), e sensível (em Amadeo), sendo que, em ambos os artistas, uma e outra tendem a harmonizar-se num Todo. Continue reading NOTAS PARA A (IN)DIFERENÇA DOS MESTRES: ALMADA, AMADEO E O MISTÉRIO DO QUADRADO

O BOM FILHO A CASA PINTOU: MANHUFE E MANCELOS NA PINTURA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO (1887-1918)

João Faria Ferreira

Manhufe, terra natal de Amadeo de Souza-Cardoso, e as paisagens montanhosas do Douro foram, direta ou indiretamente, fonte de inspiração de toda a produção do artista. Aqui se propõe uma visita a algumas das obras em que o pintor imortalizou as suas “casas.”

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THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO

Filomena Vasconcelos

I. O descritivo prova a insuficiência do cérebro, o inventivo a existência de uma ideia. (Amadeo de Souza-Cardoso)

Assim escrevia Amadeo de Souza-Cardoso, em finais de 1912, numa carta ao tio Francisco, que na família era quem melhor o entendia e desde sempre o incentivara na esteira das artes, longe da terra-mãe, na efervescente Paris do início do século XX. Diria Almada Negreiros, em 1916, que Amadeo era a “primeira descoberta de Portugal na Europa do século XX” (apud França, 2011, p. 173). Continue reading THERE IS NO ABSTRACT ART: APONTAMENTO SOBRE AMADEO