Arquivo de etiquetas: língua

RECENSÃO A JOSÉ GIL (2016), “RITMOS E VISÕES”, LISBOA, RELÓGIO D’ÁGUA

Vânia Duarte

[Ritmos e visões, de José Gil, é precisamente uma compilação de quatro ensaios em que se analisa, numa perspetiva crítico-filosófica, a obra de Fernando Pessoa. Como corpus de análise, o autor elegeu O livro do desassossego de Bernardo Soares, dois poemas de Fernando Pessoa – “A múmia” e “Ode marítima” – assim como artigos publicados na revista A Águia. Pontualmente são mencionadas outras obras como Fausto, Mensagem, Átrio, O caminho da serpente, com o intuito de contextualizar, clarificar ou corroborar afirmações. O livro parece disperso, mas há, como veremos, uma unidade que faz desses ensaios capítulos de uma reflexão encadeada.]

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A LÍNGUA: PÁTRIA OU EXPATRIAMENTO?

Paulo Borges

[Uma língua, mais do que um conjunto de convenções, é decerto a expressão de um sopro espiritual e vital, mas também a sua condensação numa estrutura verbal e conceptual, semântica e sintáctica, que condiciona a percepção da realidade e configura um regime de consciência onde essa riqueza e abundância patente na etimologia indo-europeia de real se reduz ao mundo de sentidos, significações, juízos e valorações que um determinado regime linguístico constrói, com um intuito predominantemente utilitário, ao serviço dos interesses humanos dominantes.]

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A História da Igreja em Timor-Leste: 450 anos de evangelização (1562-2012)

Ximenes Belo, A História da Igreja em Timor-Leste: 450 anos de evangelização (1562-2012)

 1.º Vol. 1562-1940, Porto, Fundação Eng.º António de Almeida, 2013

Maria Luísa Malato

[A Historiografia, política ou literária, colhe muitas vezes utilidade em ser feita por autores que não se assumem como historiadores. É o que  nos revela este livro de Ximenes Belo sobre a historiografia da igreja em Timor, de 1515 a 1940, uma reflexão delicada sobre as ambiguidades dos agentes históricos e dos seus narradores, uma viagem por um espaço linguístico, uma homenagem à cultura, feita também ela de pensamentos, palavras, atos e omissões.]

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Vieira por Pedrosa: os “Ós” de uma mesma língua

Maria Lúcia Dal Farra

[E o que é a literatura senão o puxar mais longe as obras que nos servem de desejo para a construção das nossas? E que somos nós senão “turistas” sobre a terra, seres que, não sendo mortais, descuidam da imortalidade?]

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A lusofonia e a universalidade nas cartas de Agostinho da Silva

Constança Marcondes Cesar

[A fim de podermos considerar a importância da difusão da língua e da cultura portuguesas, é preciso compreender as contribuições que trazem e os valores que comportam.
Procuraremos pô-las em relevo, estabelecendo analogias com as contribuições bem conhecidas por todos, da cultura grega na Antiguidade e a da cultura francesa na Modernidade. Valores como democracia, liberdade e vida criadora foram transmitidos a nós por Atenas; valores como igualdade, fraternidade e, uma vez mais, a liberdade foram traduzidos no mundo moderno e contemporâneo pela França.]

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A voz do mar ou Da necessidade de “errar a língua ao dente”

Isabel Cristina Mateus

[Com oitocentos e um anos de existência e contando com mais de duzentos milhões de falantes em todo o mundo, espalhados por quatro continentes, a Língua Portuguesa é um capital simbólico e económico, um património cultural e memória identitária de valor inestimável que é fundamental conhecer, preservar e enriquecer. Adquire por isso uma importância especial a edição dos autores “clássicos” da língua portuguesa, numa edição cuidada e filologicamente rigorosa, acessível ao grande público, tarefa ainda por fazer entre nós. Uma edição naturalmente alargada aos autores dos países de língua portuguesa, dando conta da polifonia de vozes e de registos que constituem aquela que Vergílio Ferreira definiu um dia como “a voz do mar”.]

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O cinema: memória de uma língua?

Elsa Cerqueira

[Transcorridos quase cento e vinte anos, desde que o fogo prometaico chegou a Portugal, por intermédio de Aurélio da Paz dos Reis, quando filmou em 1896 “A saída do pessoal operário da Fábrica Confiança”, na Rua Santa Catarina, Porto, considerado o primeiro filme da História do Cinema Português, há interrogações radicais que resistem e rejeitam o fechamento de respostas unilaterais, lineares e dogmáticas.
O presente artigo constitui a reabertura das fendas, do questionamento, não se instituindo como a farmacopeia miraculosa que as ultrapassará.]

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Sociedade civil e CPLP: contributos para a promoção e divulgação da Língua Portuguesa

Maria José Maya

[A língua portuguesa afirma-se, internacionalmente, entre outros aspetos, pelo número de falantes que congrega, 244 milhões, de acordo com as estatísticas da CPLP publicadas em 2012, estimando-se que este universo se situe em cerca de 350 milhões em meados deste século.]

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A Língua Portuguesa como objeto da Filosofia

Manuel Cândido Pimentel

[Constitui uma representação pueril querer admitir a existência do pensamento sem a língua ou fora de uma ordem de linguagem, o que nos pode desde já servir à ideia de que não há filosofia sem língua ou de que a filosofia fala a língua, filosofia que é sempre a máxima expressão do pensamento de um povo ou de uma cultura, pois que a filosofia é o saber das articulações do sentido em busca do melhor sentido, indo da plurivocidade da metáfora para a univocidade do conceito.]

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A língua: pátria ou expatriamento?

Paulo Borges

[Fernando Pessoa só não errou de todo ao escrever “Minha pátria é a Língua Portuguesa” porque o seu uso da língua era o de um fugitivo por entre as grades que sabia ilusórias, como tudo no mundo, a começar por si próprio.]

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